Moradores dos complexos da Penha e do Alemão protestaram nesta sexta-feira (31) contra a megaoperação policial que deixou ao menos 121 mortos no Rio de Janeiro. A ação, considerada a mais letal da história do Estado, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes.
O ato ocorreu horas após a Secretaria de Segurança Pública divulgar que 99 das 117 vítimas já foram identificadas. Manifestantes afirmam que a ação foi uma “chacina sem precedentes”. Por volta das 15h15, o protesto se concentrou na Vila Cruzeiro, mas novas manifestações devem ocorrer em outras regiões do país.
A operação, batizada de Contenção, gerou atritos entre o governo estadual e o federal. Após troca de críticas, o governador Cláudio Castro e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciaram uma parceria para reforçar o combate ao crime organizado.
✊🏾 CHEGA DE MASSACRE NO RIO! Organizações e ativistas dos Complexos da Penha e do Alemão se unem a familiares das vítimas da megaoperação que deixou mais de 120 mortos. Eles pedem justiça e o fim da violência contra o povo negro de favela. pic.twitter.com/XvqXFyEzbA
— PortalVIU! (@Portal_VIU) October 31, 2025
Segundo o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, nove mortos são apontados como chefes do tráfico em diferentes estados. Ele afirmou que o Complexo da Penha se tornou um “centro de treinamento” da facção criminosa Comando Vermelho e que a prisão de Doca, principal líder do grupo, é “questão de tempo”.
O governo informou que o Instituto Médico Legal (IML) foi destinado exclusivamente para necropsias das vítimas da operação. Casos não relacionados foram encaminhados ao IML de Niterói.
A Defensoria Pública do Estado montou uma força-tarefa com 40 profissionais para atender familiares. Mais de 100 famílias procuraram o órgão em busca de documentos e sepultamento gratuito. O Ministério Público utiliza tecnologia de reconstrução digital para identificar corpos e registrar lesões.
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