O Rio de Janeiro enfrenta um dia marcado por violência e paralisação devido à Operação Contenção, que mobilizou 2,5 mil policiais civis e militares nos complexos do Alemão e da Penha. O objetivo do governo do estado é prender integrantes do Comando Vermelho e conter a expansão da facção criminosa.
Movimentos de favelas e especialistas denunciam impactos desiguais da ação policial nos territórios periféricos. Fransérgio Goulart, diretor da Iniciativa Direto à Memória e Justiça Racial, afirma que a operação representa uma guerra dirigida a populações negras e empobrecidas, com corpos algemados e abandonados nas ruas, enquanto regiões mais ricas recebem tratamento diferente.
Até o início da noite, a operação havia causado 64 mortes, tornando-se a mais letal da história do estado. A cifra inclui civis e policiais, e o número real pode ser ainda maior. Especialistas destacam que, independentemente das vítimas serem classificadas como criminosos, o impacto social e humano é profundo.
Além das mortes, a operação gerou grandes impactos no transporte público, escolas, universidades e unidades de saúde. Filas nos pontos de ônibus e vans mostram o caos enfrentado por trabalhadores que precisaram interromper suas atividades.
Organizações da sociedade civil emitiram nota conjunta condenando a ação como uma política baseada no uso da força e da morte. Segundo elas, a política de segurança no estado privilegia confrontos em comunidades periféricas, enquanto não há sinais de redução do poder das facções criminosas.
A nota foi assinada por 27 entidades, incluindo Anistia Internacional Brasil, Justiça Global, Conectas Direitos Humanos, Instituto Papo Reto, Redes da Maré, Observatório de Favelas e Rede Justiça Criminal, entre outras.
O governador Cláudio Castro defendeu a operação, afirmando que não hesitará em exceder limites e competências estaduais para proteger a população e solicitou maior apoio federal no enfrentamento às organizações criminosas que atuam no Rio e em outras regiões do país.
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