Rio de Janeiro, 19 de outubro de 2025 – No dia em que completaria 112 anos, Vinicius de Moraes é celebrado com uma exposição especial no Museu de Arte do Rio (MAR), que abre neste sábado com mais de 300 peças do acervo pessoal e artístico do poeta, compositor, diplomata e um dos maiores nomes da cultura brasileira.
A mostra, intitulada Vinicius: Amor, Poesia e Cidade, propõe mais do que um olhar biográfico. A ideia é conduzir o público por dentro do processo criativo de um artista múltiplo, cuja obra atravessou fronteiras entre literatura, música, teatro e diplomacia.
Entre manuscritos, livros, gravações raras, vídeos e fotos, um dos destaques é o retrato inédito de Vinicius pintado por Cândido Portinari, exposto pela primeira vez no Rio de Janeiro. Outro espaço que promete encantar é o núcleo interativo dedicado ao clássico infantil A Arca de Noé, com ilustrações originais de Elifas Andreato.
Uma vida feita de versos e canções
Nascido em 19 de outubro de 1913, Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes cresceu no Rio de Janeiro e transformou a cidade em cenário e personagem de sua arte. Ainda menino, já escrevia poesia. Aos 19 anos, lançou seu primeiro livro, O Caminho para a Distância, com elogios de Mário de Andrade e Manuel Bandeira.
Embora tenha se formado em Direito, foi como artista que deixou sua marca mais profunda. Vinicius serviu como diplomata entre 1946 e 1968, quando foi aposentado compulsoriamente pelo regime militar. Livre do Itamaraty, mergulhou ainda mais intensamente na criação artística — especialmente na música.
Parcerias com Tom Jobim, Toquinho, Chico Buarque, Carlos Lyra e Baden Powell renderam clássicos da música brasileira, como Garota de Ipanema, Eu Sei Que Vou Te Amar, A Felicidade e Tarde em Itapoã.
De acordo com o Ecad, Vinicius deixou mais de 700 músicas registradas, marcadas por temas como o amor, a boemia, a infância e a fé, sempre com lirismo, profundidade e emoção.
Legado eterno
No teatro, brilhou com a peça Orfeu da Conceição (1954), que ganhou versão cinematográfica com o filme Orfeu Negro — vencedor da Palma de Ouro em Cannes e do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960.
Na literatura, obras como Forma e Exegese (1935), Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Livro de Sonetos (1957) e A Arca de Noé (1970) consolidaram sua importância também como poeta.
Carlos Drummond de Andrade descreveu Vinicius como um artista completo:
“Ele tem o fôlego dos românticos, a espiritualidade dos simbolistas, a perícia dos parnasianos e o cinismo dos modernos.”
Vinicius de Moraes faleceu em 9 de julho de 1980, aos 66 anos, mas sua voz continua viva — nos versos, nas melodias e no imaginário de um Brasil que ainda canta e se reconhece em sua obra.
A exposição fica em cartaz até fevereiro de 2026 e promete ser um dos grandes destaques do circuito cultural carioca.
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