O influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido nas redes sociais como Buzeira, foi preso preventivamente na manhã da última terça-feira, 14 de outubro de 2025, durante a Operação Narco Bet, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A ação representa um duro golpe contra um complexo esquema de lavagem de dinheiro que se estima ter movimentado mais de R$ 630 milhões, com fortes indícios de ligação ao tráfico internacional de drogas e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Com 28 anos e uma impressionante base de mais de 15 milhões de seguidores no Instagram, Buzeira ganhou notoriedade por ostentar uma vida de luxo, com carros esportivos caríssimos, joias reluzentes e viagens internacionais. Seu casamento recente, avaliado em cerca de R$ 10 milhões, contou com a presença de diversas celebridades, consolidando sua imagem de sucesso. Contudo, por trás do glamour, as investigações da PF revelam uma teia criminosa intrincada.
A Operação Narco Bet cumpriu um total de 11 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão em diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina. Além das prisões, a ação resultou na apreensão de um vasto arsenal de armas de fogo e diversos carros de luxo. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores que somam a impressionante quantia de mais de R$ 630 milhões, visando descapitalizar a organização criminosa e reparar os danos causados por suas atividades ilícitas. A dimensão do esquema é tamanha que a operação contou com o apoio da Polícia Criminal Federal da Alemanha (Bundeskriminalamt – BKA), que executou uma medida cautelar de prisão contra um dos investigados localizado em território alemão.
O nome de Buzeira não é estranho a investigações. Anteriormente, ele já havia sido citado em apurações relacionadas à lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar, devido à realização de sorteios e rifas em suas plataformas digitais, práticas que levantavam suspeitas. Em junho deste ano, seu nome também apareceu no relatório final do inquérito do caso VaideBet, que investigava possíveis dívidas relacionadas a campanhas eleitorais do Corinthians, envolvendo doações de empresários, influenciadores e agiotas.
As investigações da Operação Narco Bet detalham que o grupo criminoso utilizava técnicas altamente sofisticadas para lavar o dinheiro ilícito. Dentre elas, destacam-se movimentações financeiras complexas envolvendo criptomoedas e remessas internacionais, tudo para ocultar a verdadeira origem dos valores e dissimular o patrimônio adquirido ilegalmente. Uma parte significativa desses recursos era direcionada a empresas ligadas ao setor de apostas eletrônicas, popularmente conhecidas como “bets”, o que dava uma aparência de legalidade às transações.
Esta operação é um desdobramento da Operação Narco Vela, que tinha como foco a repressão ao tráfico de entorpecentes por via marítima, com origem no litoral brasileiro. As novas apurações da Narco Bet revelaram que os lucros obtidos com o tráfico eram, em parte, reinvestidos em apostas e rifas, utilizando influenciadores como Buzeira para dar uma fachada de legitimidade ao dinheiro sujo.
A prisão de Buzeira e a deflagração da Operação Narco Bet são um marco importante, evidenciando a crescente complexidade dos esquemas de lavagem de dinheiro associados ao tráfico internacional de drogas. Mais ainda, a operação joga luz sobre a preocupante utilização de figuras públicas e plataformas digitais para tentar legitimar atividades criminosas. As investigações prosseguem, e os envolvidos podem ser responsabilizados pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa, com indicativos de atuação transnacional.
Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











