“Uma bolsa e muitos sonhos dentro dela.” É assim que Flávia Jesus da Purificação, de 39 anos, descreve sua chegada a Macaé, em 2019. Vinda de Santo Amaro (BA), terra de Caetano Veloso e Maria Bethânia, ela trouxe na bagagem a esperança de uma vida melhor. Hoje, é símbolo de superação, empreendedorismo e transformação social viabilizada pela Moeda Social Macaíba.
A história começou quando seu marido, Andreson, conseguiu emprego na cidade e Flávia o acompanhou. Passou por diferentes trabalhos, incluindo vendas no calçadão da Avenida Rui Barbosa. Com a chegada da pandemia, veio a incerteza. A família se mudou para o bairro Lagomar, onde Flávia começou a vender produtos na própria área de serviço. Assim nasceu o Mini Mercado 22, hoje prestes a mudar para um espaço maior, em terreno próprio.
“A Macaíba me deu ousadia. O faturamento da loja hoje é 70% via moeda social. Isso é uma bênção para muitas pessoas”, conta Flávia, que foi a primeira comerciante de Macaé a aderir ao programa.
Ela também influenciou outros cinco vizinhos a participarem. “Esse programa ajuda quem não tem renda e movimenta o comércio local. É um ciclo em que todos ganham”, destacou.
Comércio fortalecido da Serra ao Centro
A transformação não está restrita ao Lagomar. No distrito serrano de Córrego do Ouro, o comerciante Carlos Mário Ribeiro Lucas, de 59 anos, viu seu supermercado crescer cerca de 20% com a chegada da Macaíba. “Nos dias 25 a 27, o movimento é como um Natal. Tivemos que contratar cinco pessoas e ampliar o autoatendimento”, relatou.
Já no bairro Nova Holanda, o comerciante Jhenison Cruz, de 31 anos, também colhe frutos. “A Macaíba representa 30% do movimento da loja. Com ela, conseguimos oferecer preços melhores. Contratamos 20 funcionários e estamos ampliando em 750 m²”, contou.
“Macaé mudou minha vida e da minha família”, emocionou-se.
O que é a Moeda Social Macaíba
Criada em dezembro de 2023, a Moeda Social Macaíba é uma iniciativa de transferência de renda e fortalecimento da economia local. Instituída pela Lei nº 5.075/2023, ela integra a Política Municipal de Economia Popular, Justa e Solidária, e o Programa Municipal de Combate à Pobreza e às Desigualdades.
Trata-se de uma moeda eletrônica local, com valor equivalente ao real, utilizada exclusivamente para transações dentro do município. Cada beneficiário recebe por meio de um cartão e só pode gastar em estabelecimentos cadastrados. Atualmente, 1.836 comércios já participam, e mais de 15 mil famílias (cerca de 31 mil pessoas) são atendidas.
O valor do benefício varia conforme a composição familiar:
- 150 Macaíbas para o responsável e cônjuge;
- 75 Macaíbas por dependente de 0 a 17 anos (até 3 filhos);
- 100 Macaíbas extras para PCDs matriculados na rede municipal.
A moeda não é conversível em reais pelos beneficiários, mas os comerciantes podem converter os valores via TED, fortalecendo o fluxo local de capital.
Impacto social e econômico
“A Macaíba marca a história do desenvolvimento social de Macaé”, afirma o prefeito Welberth Rezende. “É um programa que beneficia tanto famílias em vulnerabilidade quanto os comerciantes locais, fortalecendo a economia nos bairros e distritos.”
A distribuição da moeda é feita pelo Banco Macaíba, que já possui três agências (Centro, Barra e Serra) e atua na inclusão financeira da população. Em 2025, a previsão é injetar R$ 62 milhões na economia local por meio da moeda.
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