No primeiro dia da Pré-COP, evento preparatório para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro, em Belém, a delegação brasileira destacou a urgência da mobilização de recursos financeiros para alcançar as metas globais de mitigação, adaptação e transição socioeconômica justa frente ao aquecimento global.
Com participação de diplomatas, ministros e negociadores de 67 países, a Pré-COP segue até terça-feira (14), em Brasília, discutindo temas fundamentais para o avanço das negociações climáticas internacionais.
A ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Marina Silva, ressaltou a necessidade de redirecionar investimentos para a preservação e restauração dos recursos naturais. Ela destacou que são necessários cerca de US$ 280 bilhões anuais apenas para a proteção das florestas, valor quatro vezes maior do que o disponível atualmente, e mais US$ 16 bilhões para a conservação dos oceanos.
Pela manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que coordena o Círculo dos Ministros das Finanças, enfatizou a importância do aumento do financiamento climático para países em desenvolvimento, com destaque para a iniciativa Mapa do Caminho de Baku a Belém, que visa mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035. Entre os temas em pauta estão a reforma dos bancos multilaterais, o aumento dos investimentos direcionados e o engajamento do setor privado.
O presidente designado da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, destacou o consenso entre os países participantes quanto à necessidade de fortalecer o multilateralismo, especialmente nas ações de adaptação às mudanças climáticas, tema que recebeu atenção especial durante a mesa redonda ministerial.
Até o momento, 62 países formalizaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), representando 31% das emissões globais, mas grandes emissores como União Europeia e Índia ainda não atualizaram seus compromissos, que são essenciais para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC até o final do século.
A pressão da sociedade civil também marcou a Pré-COP, com a entrega de uma carta à presidência da COP30 por cerca de 40 organizações que pedem US$ 86 bilhões anuais até 2030 para ações de adaptação, principalmente para comunidades vulneráveis. Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, destacou a importância de colocar a adaptação no centro das negociações para que a COP30 seja um marco no combate à crise climática.
Outro ponto relevante é a demanda por um mecanismo formal para garantir uma transição justa — que assegure meios dignos de vida para comunidades afetadas pelas transformações climáticas. A proposta, chamada Mecanismo de Ação de Belém (BAM), é apoiada pela Climate Action Network (CAN), que reúne mais de 1,9 mil organizações no mundo.
Anabella Rosemberg, especialista em justiça social na CAN, explicou que a criação desse mecanismo multilateral é fundamental para avançar além dos diálogos, oferecendo financiamento e apoio técnico para a implementação efetiva da transição justa, tema que também envolve impactos sociais e econômicos amplos da crise climática.
A Pré-COP em Brasília abre caminho para negociações intensas na COP30, em Belém, com foco em maior ambição climática e compromisso global para enfrentar os desafios ambientais do planeta.
Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











