O filme Honestino, dirigido por Aurélio Michiles, teve sua estreia mundial nesta quinta-feira (10) no Festival do Rio, em sessão realizada no Cine Odeon, no centro da capital fluminense. A obra narra a trajetória de Honestino Guimarães, líder estudantil desaparecido durante a ditadura militar brasileira, e emocionou o público presente.
Com uma abordagem híbrida entre documentário e ficção, o longa-metragem combina entrevistas, imagens de arquivo e dramatizações com o ator Bruno Gagliasso no papel principal. A proposta é resgatar não apenas a história de um personagem simbólico, mas também fazer um retrato sensível e atual de um Brasil que ainda lida com os ecos de seu passado autoritário.
Para o diretor, a decisão de assumir o projeto foi pessoal e delicada. Michiles, que conheceu Honestino nos tempos do movimento estudantil, revelou que sempre desejou contar essa história, mas hesitava diante da responsabilidade.
“O Honestino sempre esteve no horizonte das minhas realizações. Sempre pensei em contar a história dele, mas não tinha coragem, porque é também a nossa história, a de um Brasil injusto, violento, que matou milhares de brasileiros”, disse o cineasta.
O impulso final veio após assistir a um vídeo da neta de Honestino durante a reinauguração da ponte que leva o nome do avô, em Brasília. “Ela dizia que gostaria de ouvir a história do avô contada por ele mesmo. Aí pensei: chegou a hora de contar essa história”, relembrou Michiles.
Produzido por Nilson Rodrigues, Honestino encerra uma trilogia iniciada com O Outro Lado do Paraíso (2014) e seguida por O Pastor e o Guerrilheiro (2022), todos centrados no período da ditadura militar no Brasil.
“O Honestino merecia ter sua história contada. Dentro do movimento estudantil, ele é um símbolo, mas ainda pouco conhecido fora desse meio. Temos um compromisso com a memória de quem lutou pela democracia”, afirmou o produtor.
Bruno Gagliasso, que interpreta Honestino, destacou a força simbólica do projeto: “Tentaram silenciar o Honestino há 50 anos, mas o silêncio não venceu. Ele defendia educação, liberdade e democracia. É um filme sobre o presente, não sobre o passado.”
A trilha sonora assinada por Flávia Tygel também se destaca na construção da narrativa emocional do longa. “A trilha precisava conter repressão e perigo, mas também poesia e esperança. Honestino é liberdade”, explicou a compositora.
A canção original O Coro dos Canalhas, interpretada por Fafá de Belém e composta por Tygel, Michiles e Chico Chaves, encerra o filme com força simbólica.
Durante a exibição, o público reagiu com forte comoção. A professora de História Maria Solange Melo Lins ressaltou a importância do filme como ferramenta de ensino.
“É impactante. Precisamos resgatar essas histórias para que nossos alunos conheçam o que foi a ditadura. O cinema é uma ferramenta maravilhosa para entender a História”, disse.
Honestino está na mostra competitiva do Festival do Rio, que segue até 12 de outubro, e deve estrear nos cinemas em maio de 2026.
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