Falando do lado de fora de seu escritório número 10 em Downing Street, em Londres, nesta quinta-feira (20), a primeira-ministra da Grã-Bretanha, Liz Truss, renunciou ao cargo. Ela admitiu que não poderia cumprir as promessas que fez quando concorreu para liderar o governo formado por maioria conservadora no parlamento.
A renúncia simboliza o estrago provocado pela crise econômica, energética e social, em parte, decorrente da aliança cega com o governo dos Estados Unidos na geopolítica mundial, principalmente no que se refere às sanções contra o governo da Rússia em razão da Operação Militar do país euroasiático na Ucrânia.
Liz Truss, assim como o seu antecessor Boris Johnson, que agora sonha em voltar ao cargo, é uma incondicional aliada do governo Joe Biden e chegou ao posto promovendo russofobia.
O pedido de renúncia, no entanto, foi publicamente anunciado em tom melancólico, destoando completamente do entusiasmo inicial. Foram apenas dois meses de governo.
“Reconheço, porém, dada a situação, não posso cumprir o mandato em que fui eleita pelo Partido Conservador. Por isso, falei com Sua Majestade, o Rei, para notificá-lo de que estou renunciando ao cargo de líder do Partido Conservador”, disse ela.
Liz anunciou que a escolha de um novo premiê deve acontecer até a próxima semana. “Esta manhã conheci o presidente do Comitê de 1922, Sir Graham Brady. Concordamos que haverá uma eleição de liderança a ser concluída na próxima semana. Isso garantirá que permaneçamos no caminho para entregar nossos planos fiscais e manter a estabilidade econômica e a segurança nacional do nosso país”, disse, salientado que continuará no cargo até que um sucessor seja escolhido”.
A primeira-ministra foi derrubada por seu programa econômico que enviou ondas de choque através dos mercados e dividiu o Partido Conservador.
Mais de uma dúzia de deputados conservadores pediram publicamente a renúncia da premiê, depois que seus planos de corte de impostos provocaram um colapso no mercado diante de uma severa crise inflacionária.
Truss foi eleita pela maioria conservadora no parlamento em setembro, mas perdeu autoridade após uma série de reviravoltas.
Pesquisas recentes mostram que sua popularidade e do partido caiu drasticamente, a ponto de ser qualificada como a líder mais impopular da história. Tinha aprovação de apenas 10% da população britânica.
Uma eleição de liderança será concluída na próxima semana para substituir Truss. Ela é a primeira-ministra que permaneceu o menor tempo no cargo. O segundo foi George Canning, que serviu por 119 dias antes de morrer em 1827. Seu sucessor será o terceiro primeiro-ministro a liderar a Grã-Bretanha este ano.
Ao anunciar a renúncia, Truss se desculpou pelos “erros” políticos de seu governo que derrubaram a moeda do país e abalaram os mercados financeiros.
Em entrevista à BBC na segunda-feira, ela chegou a prometer que pretendia liderar o seu partido na próxima eleição geral, apesar da crescente pressão de investidores e de seus próprios correligionários desde que o controverso mini-orçamento foi anunciado no final de setembro.
“Quero aceitar a responsabilidade e pedir desculpas pelos erros que foram cometidos”, disse Truss. “Eu queria agir, mas ajudar as pessoas com suas contas de energia a lidar com a questão dos altos impostos, mas fomos longe demais e muito rápido.”
O novo chanceler do Tesouro Jeremy Hunt, que foi nomeado na sexta-feira depois que Truss removeu Kwasi Kwarteng, na segunda-feira, eliminou quase todos os cortes de impostos não financiados e reduziu seu vasto esquema de apoio à energia.
Hunt estimou que as mudanças fiscais levantariam cerca de £ 32 bilhões (US$ 36 bilhões) no próximo ano e alertou para cortes de gastos difíceis.
*Da Presstv editado pela agência Fonte Exclusiva. Compartilhe o conteúdo do Diário da Guanabara.











