O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2025 trouxe uma radiografia preocupante para o Estado do Rio de Janeiro, revelando um cenário de extremos que vai além dos cartões postais. Enquanto Resende conquista o primeiro lugar entre os 92 municípios fluminenses, seis cidades da região metropolitana figuram entre as 10 piores do país em qualidade de vida para habitantes de grandes centros urbanos.
A capital Rio de Janeiro obteve 66,13 pontos no IPS Brasil 2025, ocupando a 11ª posição entre as 27 capitais brasileiras. Embora esteja classificada no Grupo 1 (de melhor desempenho), a cidade fica atrás de outras capitais do Sudeste como São Paulo (4º lugar, 68,88 pontos) e Belo Horizonte (5º lugar, 68,22 pontos).
“O IPS é um diagnóstico claro da cidade do Rio de Janeiro como um todo e não apenas meras imagens dos cartões postais. Mostra que os bairros nobres da cidade vem recorrentemente ganhando grande atenção e investimentos do poder público”, analisa o geógrafo Hugo Costa, destacando as desigualdades internas da capital.
As 10 melhores cidades do RJ no IPS 2025
- Resende – Sul Fluminense, destaque em saúde, segurança e educação básica
- Rio de Janeiro – Capital, 2ª melhor do estado
- Cordeiro – Região Serrana, destaque em meio ambiente
- Carmo – 4ª colocação estadual, 373ª posição nacional
- Teresópolis – Região Serrana
- Niterói – Região Metropolitana (63,99 pontos)
- Aperibé – Norte Fluminense
- Nova Friburgo – Região Serrana
- Barra Mansa – Sul Fluminense
- Macuco – Região Serrana
As 10 piores cidades do RJ no IPS 2025
- São Francisco do Itabapoana (92º) – Norte Fluminense, pior do estado
- Japeri (91º) – Baixada Fluminense
- Carapebus (90º) – Norte Fluminense
- Sumidouro (89º) – Região Serrana
- Itaboraí (88º) – Região Metropolitana
- Paraty (87º) – Costa Verde
- Mangaratiba (86º) – Costa Verde
- Tanguá (85º) – Região Metropolitana
- Duque de Caxias (84º) – Baixada Fluminense (56,83 pontos)
- Magé (83º) – Baixada Fluminense
Região Metropolitana, Baixada e Norte Fluminense
O dado mais alarmante revelado pelo IPS Brasil 2025 é que seis municípios fluminenses estão entre as 10 grandes cidades brasileiras (acima de 500 mil habitantes) com pior qualidade de vida: Duque de Caxias, Belford Roxo (57,76 pontos), São Gonçalo (57,84 pontos), Nova Iguaçu (60,16 pontos) e Campos dos Goytacazes (62,19 pontos).
Estes municípios, todos da região metropolitana ou grandes centros urbanos, apresentam deficiências estruturais crônicas em saneamento básico, segurança pública, acesso à educação superior e oportunidades de desenvolvimento social.
O Estado do Rio de Janeiro ocupa a 8ª posição no ranking nacional entre as 27 unidades federativas, com pontuação de 62,38 – ligeiramente acima da média nacional de 61,96 pontos. Esta posição intermediária, no entanto, mascara as profundas desigualdades internas reveladas pelos dados municipais.
Sobre Metodologia do IPS Brasil 2025
O Índice de Progresso Social Brasil 2025, coordenado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), avalia 57 indicadores sociais e ambientais distribuídos em três dimensões:
- Necessidades Humanas Básicas (nutrição, água, saneamento, moradia, segurança)
- Fundamentos do Bem-estar (educação básica, informação, saúde, meio ambiente)
- Oportunidades (direitos individuais, liberdades, inclusão social, educação superior)
A pontuação varia de 0 a 100, sendo baseada exclusivamente em dados públicos e medindo resultados efetivos, não investimentos ou promessas governamentais.
Desafios e oportunidades
Os resultados evidenciam que o desenvolvimento econômico, por si só, não garante qualidade de vida. Cidades turísticas como Paraty e Mangaratiba, apesar de receberem investimentos significativos no setor, apresentam deficiências graves em indicadores sociais básicos para seus residentes permanentes.
Por outro lado, municípios menores do interior, como Cordeiro e Carmo, demonstram que gestão eficiente de recursos públicos e políticas focadas no bem-estar social podem gerar resultados superiores aos de grandes centros urbanos.
O IPS Brasil 2025 serve como ferramenta fundamental para orientar políticas públicas e investimentos sociais, revelando onde as intervenções são mais urgentemente necessárias para reduzir as desigualdades que marcam o território fluminense.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio de Janeiro*











