A nova Declaração Política da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), aprovada recentemente, recebeu críticas de especialistas ao não incluir a obesidade como uma doença crônica prioritária. A informação foi divulgada pela Revista Veja nesta quinta-feira (25).
Além de deixar a obesidade de fora da lista das prioridades, o documento não aborda medidas defendidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2022, como a taxação de ultraprocessados e bebidas açucaradas.
Embora reconheça que o número de adultos com obesidade dobrou desde 1990 e que 390 milhões de crianças e adolescentes convivem com sobrepeso ou obesidade, a declaração trata a condição mais como um fator de risco do que como uma doença que exige atenção direta.
Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), criticou a ausência da obesidade entre as prioridades: “A obesidade simplesmente não foi listada entre as prioridades de doenças crônicas não transmissíveis. Há apenas menções indiretas”, afirmou à revista.
A OMS reconhece a obesidade como doença desde 1948, mas a classificação ainda é tema de debate. Para avançar, especialistas propuseram na revista The Lancet uma distinção entre “obesidade clínica” — considerada doença — e “obesidade pré-clínica” — tratada como fator de risco.
No Brasil, 68% dos adultos estão acima do peso, e 31% vivem com obesidade, segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025. Em 2021, mais de 60 mil mortes prematuras foram atribuídas ao excesso de peso no país.
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