O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, abriu os discursos da 80ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, nesta terça-feira (24). Em sua fala, o líder brasileiro traçou um panorama das crises globais e defendeu posições centrais da política externa do país.
Lula afirmou que democracia e soberania são inegociáveis, criticando medidas unilaterais contra instituições nacionais e alertando para o enfraquecimento do multilateralismo.
Sobre o clima, o presidente declarou que a COP30, em novembro de 2025 no Brasil, será a “COP da verdade”, onde líderes mundiais precisarão provar a seriedade de seus compromissos. Lula defendeu a criação de um Conselho climático ligado à Assembleia Geral da ONU, para monitorar ações e dar coerência à luta contra o aquecimento global.
O discurso também abordou temas sociais. Lula lembrou que o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da FAO, mas destacou os 670 milhões de famintos no mundo. Ele defendeu três caminhos: menos gastos com guerras e mais investimentos em desenvolvimento, alívio da dívida externa dos países pobres e tributação global mais justa, com os super-ricos pagando mais impostos.
Ao tratar do conflito em Gaza, Lula condenou os ataques terroristas do Hamas, mas classificou como “genocídio” a ofensiva israelense. Segundo ele, “ali também estão sepultados o Direito Internacional Humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente”. O presidente ainda denunciou o uso da fome como arma de guerra e expressou solidariedade a judeus que se opõem à punição coletiva.
Na área digital, Lula defendeu a regulação das plataformas, afirmando que a internet não pode ser terra sem lei. Ele disse que regular não é censurar, mas garantir que crimes sejam punidos também no ambiente virtual. O presidente destacou ainda a necessidade de governança multilateral para a inteligência artificial, em linha com o Pacto Digital Global.
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