O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, reconhecido como o principal especialista no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), concedeu entrevista ao jornal O Globo, publicada na última quarta-feira (17), na qual comentou o assassinato do ex-delegado geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, ocorrido na segunda-feira (15).
Segundo Gakiya, o PCC já planejava a eliminação de Ruy desde 2006. O promotor relatou que alertou o delegado pelo menos três vezes ao longo dos anos sobre ameaças contra sua vida, baseando-se em escutas telefônicas que confirmavam o plano da facção criminosa.
Em 2010, um atentado foi evitado após a prisão de dois indivíduos armados com fuzis e outros armamentos pesados, que pretendiam executar Ruy na porta da delegacia. O plano foi descoberto graças à atuação de Gakiya, que lamentou a recente execução e destacou que, infelizmente, não foi possível evitar a tragédia atual.
O promotor não descarta o envolvimento direto do PCC no assassinato e levanta a possibilidade da contratação de matadores de aluguel. Para ele, há indícios claros de que o crime segue o padrão de retaliações da facção, com características de atentado terrorista, principalmente por ter sido cometido em local público.
Gakiya também relembrou o caso de Vinicius Gritzbach, delator de policiais e membros do PCC, que foi assassinado em circunstâncias semelhantes. Ele acredita que esses crimes são usados como forma de enviar uma mensagem de intimidação por parte do crime organizado, evidenciando a fragilidade das autoridades públicas após deixarem seus cargos e perderem a proteção institucional.
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