Diante da opção preferencial da Ucrânia pelo terrorismo, escolhendo a estrutura civil da Rússia como alvo, o país governado por Vladimir Putin terá uma única escolha: responder de forma contundente tanto ao ataque à ponte da Crimeia quanto aos gasodutos Norte Stream 1 e Norte Stream 2
A avaliação é do analista político Aleksandar Pavic, baseado em Belgrado, na Sérvia. A resposta russa começou nesta segunda-feira (9), com bombardeios de várias cidades ucranianas, incluindo a capital Kiev.
Com esses ataques retaliatórios à infraestrutura crítica da Ucrânia, Moscou está dando a entender que não se deixará ficar “contra a parede”, conforme analisa Pavic, em entrevista à agência Sputnik.
“A Rússia ficou sem escolha. Após o ataque terrorista à ponte da Crimeia e a sabotagem dos [gasodutos russos] Nord Stream 1 [Corrente do Norte 1] e Nord Stream 2 [Corrente do Norte 2], a Rússia está contra a parede: responderá ao desafio ou concordará com o plano de Washington de desmembrar o país. Só agora os ucranianos nas grandes cidades perceberão que a guerra ainda não começou”, disse.
Vídeo: Bombardeio da Rússia em resposta ao ato terrorista da Ucrânia. https://t.co/RiFslZxeR2
— Diário da Guanabara (@dgrj72671827) October 10, 2022
“Tendo em conta que [o presidente russo] Vladimir Putin a descreveu como uma ação terrorista, e que os serviços [secretos] ucranianos foram responsabilizados por ela, e eles mesmos se gabam disso, o que está acontecendo agora é um golpe no centro de tomada de decisões, e eles não existem apenas em Kiev. Penso que a liderança russa começará a considerar todas as estruturas na Ucrânia terroristas “, disse Pavic.
O analista explica que os russos não combatem como os americanos, ou seja, eles atacam a infraestrutura, não atingem alvos civis. Em resposta, “serviços de segurança ucranianos organizaram uma série de ataques terroristas, ataques e tentativas de ataques sob bandeira falsa”.
Para o analista, a Ucrânia perdeu a oportunidade de consumar um acordo de paz, quando a Rússia estava disposta a formalizar.
“Eles tentaram de tudo. Há evidências de que a Rússia estava pronta para um acordo de paz com a Ucrânia no início de abril, e que eles estavam prontos para cessar a operação [especial] e estabelecer a linha de demarcação como estava no início da operação militar, para que a Crimeia continuasse fazendo parte da Rússia, e a Ucrânia desistisse das aspirações e ambições para a OTAN e fosse neutra”, sublinhou o especialista.
A oportunidade para um acordo foi implodida quando o então premiê britânico Boris Johnson (2019-2022) foi para Kiev e descarrilou esses planos, tornando claro aos russos que era impossível fazer a paz com Kiev e seus mestres ocidentais. “Essa percepção foi reforçada pelas declarações de Kiev, Washington, Bruxelas e Londres, que nos meses anteriores apontaram a derrota da Rússia como única opção”, acrescentou Aleksandar Pavic.
“A Rússia não tem escolha. Deve pegar a luva lançada, deve aceitar o conflito, senão acontecerá o que foi prometido em Washington, que a Rússia será desmembrada, descolonizada, como eles dizem”, disse Pavic.
Pavic crê que na hora da tomada de decisões envolvendo a Ucrânia, apenas contam os interesses do Estado profundo anglo-americano.
“Quando são tomadas decisões-chave, [o presidente ucraniano Vladimir] Zelensky não é solicitado. Ele pode concordar, o que provavelmente até fez, assim como a liderança ao seu redor, mas se as decisões forem tomadas por Washington, ele não tem poder de veto. Os ucranianos poderiam dizer: esperem, isto terá enormes consequências para nós, mas Washington não se importa nada com isso”, disse Pavic.
O especialista teoriza que o principal objetivo do Ocidente é a mudança de regime em Moscou, e depois em Pequim, para eliminar os dois únicos centros mundiais que podem se opor a um mundo unipolar.
*Da Sputnik com edição de Fonte Exclusiva. Leia e compartilhe as notícias do Diário da Guanabara.











