Jovens moradores das periferias brasileiras terão a oportunidade de se capacitar gratuitamente nas áreas de audiovisual e influência digital por meio do programa Favela Seguros Cria, que está com inscrições abertas. A iniciativa tem a meta de formar até 5 mil participantes, oferecendo formação prática e orientação sobre produção de conteúdo e técnicas de comunicação aplicadas ao mercado de trabalho.
O projeto é uma parceria da Favela Seguros, iniciativa da Favela Holding — um conjunto de empresas focadas no desenvolvimento das favelas e seus moradores — e da MAG Seguros, com apoio social da Central Única das Favelas (CUFA). O objetivo é promover inclusão financeira e social, democratizar o acesso a um mercado em expansão e estimular a geração de renda, autonomia e protagonismo dentro das comunidades.
Gê Coelho, líder de relações institucionais da Favela Seguros, explicou em entrevista que, embora o foco seja Rio de Janeiro e São Paulo, as inscrições são abertas para jovens de todo o Brasil, incluindo regiões como o Nordeste. Segundo ele, a diversidade regional ajuda a criar uma linguagem plural, pois a comunicação varia entre as favelas do país.
Nascido na favela de Vigário Geral, na zona norte do Rio, e atualmente morador da comunidade de Dourado em Cordovil, Gê destaca que a oralidade e a comunicação já são características fortes nas favelas. O curso visa oferecer a parte técnica para que esses jovens possam ampliar suas habilidades e potencial criativo.
As inscrições são feitas pela internet e permanecem abertas até o preenchimento das vagas, previsto para até 20 dias. O curso é 100% online e oferecido pela plataforma Digital Favela, com conteúdos que vão desde a construção de roteiros, edição, som e fotografia, em vídeos curtos e dinâmicos.
Além disso, algumas aulas estarão disponíveis no YouTube, com palestras motivacionais de influenciadores e atletas, como Rafa Silva, judoca campeã olímpica, que também participará do projeto. O conteúdo extra poderá ser acessado até mesmo por quem não estiver inscrito no curso.
O programa é voltado a três perfis principais: jovens que desejam transformar criatividade em carreira, pessoas buscando independência financeira e empreendedores que querem fortalecer seus negócios com estratégias digitais.
Gê Coelho reforça a expectativa de que os formandos consigam gerar renda a partir das atividades aprendidas, atendendo às demandas específicas das favelas. Ele lembra que as comunidades movimentam cerca de R$ 300 bilhões e que muitos pequenos negócios locais podem ser divulgados e impulsionados por esses novos influencers.
“A ideia é que as pessoas possam se profissionalizar, ter uma renda além da extra, e atuar como influencers de favela, promovendo cultura, turismo, produtos e serviços locais, gerando impacto econômico direto nas suas comunidades”, conclui Gê.
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