O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, determinou nesta terça-feira (3) o retorno do deputado estadual Rafael Picciani (MDB-RJ) à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A decisão foi antecipada após a prisão do então parlamentar Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, alvo de uma operação conjunta das polícias Federal, Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
“O retorno de Rafael já estava previsto, mas, diante da operação realizada hoje, decidimos antecipar. O trabalho integrado deixa um recado muito claro: a lei vale para todos”, declarou o governador em nota oficial.
TH Joias foi preso em casa, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste da capital. Ele é suspeito de intermediar negociações de compra e venda de armas para o Comando Vermelho, principal facção criminosa do estado.
Além do parlamentar, foram presos outros integrantes do suposto esquema, entre eles o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, o assessor Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, o ex-secretário Alessandro Pitombeira Carracena, o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel — que estava de plantão no Aeroporto do Galeão — e três policiais militares. No total, 13 pessoas foram presas na operação.
Denúncia e investigações
Segundo o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, a denúncia oferecida à Justiça aponta que TH Joias e outros três investigados integravam organização criminosa e praticavam comércio ilegal de armas de uso restrito.
O Ministério Público também apura possíveis vazamentos da operação, após indícios de destruição de provas e tentativa de fuga na véspera da ação. O esquema criminoso estaria envolvido em uma negociação de cerca de R$ 5 milhões relacionada ao tráfico de drogas.
Outro ponto investigado é a suspeita de lavagem de dinheiro por meio de uma franquia de loja ligada a um clube do Rio de Janeiro, localizada no Mato Grosso do Sul, com movimentações financeiras incompatíveis com a atividade.
A denúncia também menciona suspeitas de corrupção, com possível oferta de propina a policiais, mediada por um advogado.
Uso do mandato para favorecer facção
De acordo com a acusação formal apresentada ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), os investigados atuavam em comunidades como os Complexos da Maré, do Alemão e em Parada de Lucas. Eles teriam intermediado negociações de drogas, armas e até equipamentos antidrones, usados para impedir operações policiais.
TH Joias, segundo o MPRJ, teria usado o mandato para beneficiar o grupo criminoso, inclusive nomeando comparsas para cargos na Alerj e realizando pagamentos diretos a integrantes da facção.
O deputado será submetido à audiência de custódia, e a Alerj será formalmente comunicada, tendo a responsabilidade constitucional de decidir sobre a manutenção ou relaxamento da prisão.
“É preciso haver ações preventivas para impedir que pessoas ligadas ao crime ingressem na política. Estamos atuando para promover a limpeza dos órgãos públicos”, afirmou o procurador-geral Antonio Moreira.
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