O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou neste sábado (23) que o Brasil superará os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, reforçando que o país hoje é menos dependente do mercado norte-americano do que em décadas anteriores.
“Vai passar”, disse Alckmin durante debate sobre conjuntura política promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em Brasília. “Na década de 1980, 24% das nossas exportações iam para os EUA. Hoje, são 12%. E o que está afetado no tarifaço representa 3,3% do total”, explicou o vice-presidente, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
As novas tarifas, de até 50%, afetam especialmente setores da indústria de manufatura, como máquinas e equipamentos, calçados e têxteis. “Comida, como carne ou café, se não vendermos para os EUA, vendemos para outro mercado. Produto manufaturado é mais difícil de realocar. Acaba se realocando, mas demora mais”, observou.
Medidas emergenciais e acordos internacionais
Alckmin afirmou que o governo está atuando para mitigar os efeitos da medida e buscar alternativas comerciais. Entre as ações anunciadas estão:
- Abertura de linhas de crédito para exportadores;
- Ampliação do mecanismo de drawback, que suspende tributos sobre insumos importados usados em produtos exportados;
- Aumento na restituição de tributos federais para empresas atingidas.
O vice-presidente também destacou a importância de diversificar os destinos das exportações brasileiras. Segundo ele, o governo trabalha para concluir o acordo Mercosul-União Europeia ainda este ano, além de avançar nas negociações com o EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), Singapura e Emirados Árabes Unidos.
Reação internacional
No cenário externo, o Brasil já levou a questão à Organização Mundial do Comércio (OMC). Alckmin não descarta que o caso possa chegar também aos tribunais norte-americanos, caso não haja uma solução diplomática.
“Você não pode usar política regulatória por razões partidárias ou políticas. Isso distorce a concorrência e fere os princípios do comércio internacional”, criticou o vice-presidente, reforçando que o governo brasileiro seguirá pressionando pela retirada das tarifas.
Impacto das tarifas
Segundo Alckmin, 36% das exportações brasileiras aos EUA foram diretamente afetadas pelo aumento tarifário, especialmente em produtos industrializados. No entanto, ele ressaltou que 42% das exportações não foram atingidas, enquanto outros 16% foram taxados em linha com medidas aplicadas também a outros países, em setores como aço, alumínio e cobre.
Apesar do impacto inicial, o governo acredita que o país tem capacidade de se adaptar. “Não vamos desistir de reverter essas tarifas nem de ampliar o acesso a novos mercados”, concluiu Alckmin.
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