A proibição dos testes em animais para cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal já está em vigor no Brasil. Com a nova regulamentação, empresas do setor vêm investindo em tecnologias avançadas para garantir a segurança dos produtos sem recorrer à crueldade animal.
Entre as soluções adotadas, destaca-se o uso de pele humana cultivada em laboratório, órgãos-chips, organoides e simulações digitais. Essas alternativas substituem com eficácia o uso de animais, oferecendo resultados mais precisos e reprodutíveis, segundo especialistas.
A gigante francesa L’Oréal é referência com o desenvolvimento da EpiSkin, modelo de pele artificial utilizado em larga escala no lugar de coelhos e outros animais. Já a Unilever aposta em métodos in vitro combinados a simulações computacionais. A Procter & Gamble também avança no uso de órgãos-chips — dispositivos que imitam funções complexas de órgãos humanos para avaliar os efeitos de substâncias químicas a longo prazo.
Organoides, cultivados a partir de células-tronco, reproduzem estruturas e funções de órgãos reais em laboratório, proporcionando uma alternativa de alto nível para os testes tradicionais.
No Brasil, a Natura & Co — grupo que reúne Natura, Avon, Aesop e The Body Shop — tornou-se líder em bioimpressão de tecidos e mantém certificações internacionais de práticas cruelty-free. O Boticário aboliu os testes em animais ainda no ano 2000 e, atualmente, valida a segurança de seus produtos por meio de bancos de dados toxicológicos e parcerias com universidades.
“Acompanhamos a crescente consciência social sobre a necessidade de se evitar práticas cruéis contra animais, que são absolutamente desnecessárias diante do avanço do conhecimento científico”, afirmou o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), relator do projeto de lei que originou a proibição.
Fora do Brasil, a União Europeia mantém rígida proibição a testes em animais, inclusive para produtos importados. Nos Estados Unidos, 12 estados já restringem a venda de itens que tenham sido testados em animais. A China, por sua vez, ainda exige testes em determinados cosméticos, como tinturas de cabelo e protetores solares.
Além das tecnologias laboratoriais, alguns centros de pesquisa nos Estados Unidos utilizam pele humana doada em cirurgias plásticas. Mantido em incubadoras, esse tecido é usado para testar cosméticos e vacinas, oferecendo alta precisão nos resultados.
Com essas inovações, a indústria cosmética global caminha para um futuro mais ético, sustentável e alinhado às exigências da sociedade moderna.
*Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












