A Confederação Nacional da Indústria (CNI) solicitou nesta segunda-feira (18) o direito de apresentar um depoimento na audiência que será realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no dia 3 de setembro, em Washington. A audiência faz parte da investigação que acusa o Brasil de práticas desleais de comércio internacional com base na Seção 301 da legislação americana.
No documento enviado ao governo dos EUA, a CNI indica o embaixador Roberto Azevedo — ex-diretor-geral da OMC — para representar a entidade durante a apresentação oral. Segundo a confederação, o depoimento pretende demonstrar que o Brasil não adota políticas injustificáveis e que o comércio americano não foi prejudicado.
A entidade argumenta ainda que a relação comercial entre os dois países é historicamente equilibrada e que sanções contra o Brasil poderiam prejudicar as cadeias de suprimentos que beneficiam a economia de ambos os lados.
A investigação americana reúne seis pontos principais: entrada de etanol norte-americano no mercado brasileiro, desmatamento ilegal, fiscalização anticorrupção, tarifas preferenciais, propriedade intelectual e políticas digitais relacionadas a pagamentos eletrônicos, como o Pix. O governo brasileiro pretende responder a cada tema na defesa oficial.
Outras entidades brasileiras também já se manifestaram contra a investigação, incluindo CNA, Cecafé, Abividro, Abit e Embraer. A empresa de aviação afirmou que eventuais restrições de importação dos EUA seriam contrárias aos interesses americanos.
A resposta final do governo brasileiro deve ser enviada ainda hoje, último dia do prazo estabelecido pelo USTR.
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