Em um marco inédito nas relações internacionais recentes, os presidentes Vladimir Putin (Rússia) e Donald Trump (Estados Unidos) se reuniram nesta sexta-feira (15) na base militar Elmendorf-Richardson, no Alasca (EUA). O encontro — o primeiro entre os dois desde 2019 e desde o início da guerra na Ucrânia — foi classificado por ambos como “construtivo e respeitoso”.
Putin destacou a importância do diálogo após mais de quatro anos sem cúpulas entre os dois países, período que ele descreveu como “o pior desde a Guerra Fria”. “Mais cedo ou mais tarde, seria necessário sair da confrontação e retomar o diálogo. E esse trabalho de preparação foi feito”, afirmou o presidente russo em coletiva de imprensa.
Trump, por sua vez, afirmou que houve avanços concretos durante a reunião. “Concordamos na maioria dos pontos. Há um ou dois temas importantes ainda em aberto, mas estamos perto de um entendimento”, disse, agradecendo diretamente a Putin.
Ucrânia no centro da pauta
O principal tema da cúpula foi o conflito entre Rússia e Ucrânia. Putin afirmou que vê disposição dos EUA, sob Trump, em ajudar a buscar uma solução para a guerra, reconhecendo que o problema é complexo, mas que a paz é possível, desde que todas as preocupações de segurança da Rússia sejam levadas em consideração.
“O povo ucraniano é fraterno para nós. Tudo isso é uma tragédia, e queremos acabar com esse sofrimento. Mas para isso, precisamos atacar as causas profundas do conflito”, declarou.
Putin também sinalizou que concorda com Trump em relação à necessidade de garantir a segurança da Ucrânia: “Espero que o entendimento que alcançamos hoje abra caminho para a paz.”
Trump diz que depende de Zelensky
Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que agora “cabe a Zelensky” dar o próximo passo. “Concordamos em muitos pontos. Agora, a Ucrânia terá que aceitar. É melhor que ele chegue a um acordo — a Rússia é uma potência muito grande, e eles [os ucranianos] não são”, afirmou o presidente americano.
Ele também revelou que uma ligação com Zelensky e aliados da OTAN será feita para informar os detalhes da reunião com Putin.
E se Trump fosse presidente em 2022?
Putin confirmou acreditar que o conflito teria sido evitado se Trump estivesse no poder. “Tentei convencer a administração anterior de que levar a situação ao limite seria um erro. Trump está certo ao dizer que, sob sua liderança, a guerra não teria começado”, declarou.
O presidente russo elogiou a relação que teve com Trump: “Baseada na confiança e no profissionalismo”.
Próximos passos e nova reunião à vista
Putin e Trump indicaram que uma segunda reunião já está nos planos. O líder russo chegou a convidar Trump para um novo encontro em Moscou. “Next time in Moscow”, disse Putin. Trump respondeu, em tom descontraído: “Interessante. Vão me criticar por isso, mas pode acontecer”.
Trump também anunciou que estão sendo organizados os preparativos para uma nova cúpula tripartite entre ele, Putin e Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia. “Se eles quiserem, estarei presente. Não pedi para estar, mas quero garantir que essa reunião aconteça”, afirmou.
Retomada da cooperação entre Rússia e EUA
Putin sinalizou que há espaço para recomeçar. “É hora de virar a página e retomar a cooperação. Temos interesses comuns em comércio, energia, tecnologia e até no Ártico. O comércio bilateral já cresceu 20% com a nova administração americana”, pontuou.
O presidente russo também relembrou momentos históricos de cooperação entre Moscou e Washington, como durante a Segunda Guerra Mundial, e afirmou estar confiante em um “novo capítulo de relações baseadas na igualdade e no benefício mútuo”.
Formato do encontro
A reunião foi realizada a portas fechadas no formato “3 contra 3”, com Putin acompanhado de Sergey Lavrov (chanceler russo) e Yuri Ushakov (assessor), enquanto Trump levou Marco Rubio (secretário de Estado) e Steve Witkoff (enviado especial). O encontro durou cerca de três horas.
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