Um dia após a prisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) em Roma, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou as redes sociais para pedir que as autoridades italianas não aceitem o pedido de extradição feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A parlamentar foi condenada a dez anos de prisão por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica.
Zambelli foi localizada na terça-feira (29) em seu apartamento na capital italiana. Segundo seu advogado, Fabio Pagnozzi, no momento da abordagem policial, ela lavava o cabelo e fazia uma pintura no imóvel. Ele afirma que a parlamentar cooperou com as autoridades, pegou seus remédios e foi levada à delegacia de forma pacífica.
Pagnozzi declarou que sua cliente pretende ser julgada na Itália, onde tem cidadania, e que, caso a pena precise ser cumprida, que seja em solo italiano. A versão, no entanto, é rebatida pela Polícia Federal (PF), que nega que a prisão tenha sido uma entrega voluntária. A PF confirmou intensa colaboração com a polícia italiana e acionamento da Interpol para a efetivação da prisão.
Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, as autoridades italianas têm até 48 horas para decidir sobre a validação da prisão. Em seguida, poderão optar por soltura, prisão domiciliar ou abertura do processo formal de extradição.
A prisão de Zambelli foi possível graças a informações repassadas por autoridades italianas. O deputado Angelo Bonelli afirmou que foi ele quem notificou a polícia sobre o paradeiro da deputada, que estava na lista vermelha da Interpol desde junho. Zambelli havia deixado o Brasil via Argentina após sua condenação no STF.
Em publicação no Instagram, o advogado da deputada divulgou um vídeo em que Zambelli declara: “Se for para cumprir pena, que seja aqui na Itália. Eu confio mais na Justiça italiana”.
Além da condenação por inserir documentos falsos nos sistemas do CNJ — entre eles um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes — Zambelli é investigada em dois inquéritos no STF: o das fake news e o das milícias digitais. Ambos apuram sua suposta atuação em ataques contra instituições democráticas e articulações golpistas após o resultado das eleições de 2022.
Eduardo Bolsonaro, ao comentar a prisão, voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, que na quarta-feira (30) foi alvo de sanções do governo dos Estados Unidos com base na Lei Global Magnitsky. O deputado afirmou que países democráticos não deveriam acatar decisões tomadas por Moraes, citando recusas anteriores de extradição envolvendo nomes como Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio.
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