Uma descoberta científica acendeu um novo alerta na comunidade médica internacional: o gene npmA2, capaz de tornar bactérias altamente resistentes a antibióticos do tipo aminoglicosídeo, está se espalhando silenciosamente em diferentes regiões do mundo. A constatação veio de um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Complutense de Madri, publicado na última quinta-feira (17) na revista científica Nature Communications.
Os cientistas analisaram cerca de 2 milhões de amostras de origem humana, animal e ambiental, em uma das maiores investigações já feitas sobre resistência bacteriana. Eles identificaram o gene npmA2 circulando em seis países, presente em bactérias como a Clostridioides difficile, conhecida por causar infecções intestinais graves, e a Enterococcus faecium, frequentemente associada a infecções hospitalares.
“O npmA2 é como um fantasma: quase ninguém sabia de sua existência e, sem fazer alarde, começou a aparecer em várias partes do mundo e em bactérias que já são difíceis de controlar”, explicou o professor Bruno González-Zorn, líder do estudo.
Segundo os pesquisadores, o gene se desloca por meio de um fragmento genético móvel, o que lhe confere a capacidade de se infiltrar e integrar facilmente ao DNA de diferentes bactérias — um mecanismo comparado a um “cavalo de Troia”. Isso permite que ele torne as bactérias resistentes sem ser facilmente detectado.
O cientista Carlos Serna, coautor do estudo, destacou que a presença do npmA2 em ambientes tão diversos representa um risco crescente. “Esse gene pode tornar determinadas infecções praticamente incuráveis com os antibióticos que temos hoje. É um alerta sério para a medicina global”, afirmou.
A descoberta reforça a urgência de medidas coordenadas para monitorar e conter a disseminação da resistência bacteriana — considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das maiores ameaças à saúde pública no século XXI.
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