O governo brasileiro adotou o bom humor e um toque de forró para responder à nova ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Pix — sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.
Horas após a divulgação de que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA abriu uma investigação alegando que o Pix favorece serviços públicos brasileiros em detrimento de empresas norte-americanas, o perfil oficial do governo federal nas redes sociais publicou uma mensagem irônica em defesa do sistema.
“O Pix é nosso, my friend”, diz a imagem acompanhada de trilha sonora no estilo eletroforró, com a música Bom Dia Brasil. A publicação rapidamente viralizou e foi interpretada como um gesto de soberania diante da pressão americana.
“Parece que nosso Pix vem causando um ciúme danado lá fora, viu?”, diz o texto. “Tem até carta reclamando da existência do nosso sistema seguro, sigiloso e sem taxas.”
“Só que o Brasil é o quê? Soberano. E tem muito orgulho dos mais de 175 milhões de usuários do Pix, que já é o meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros. Nada de mexer com o que tá funcionando, ok?”
A postagem foi um sucesso: em menos de três horas no ar, ultrapassou 100 mil curtidas no Instagram e gerou milhares de comentários. A maioria demonstrava apoio ao Pix e crítica à postura do governo americano.
Repercussão entre os usuários:
— “Trump conseguiu finalmente unir o Brasil inteiro (contra ele)”
— “Mexeu com o Pix, mexeu com o povo”
— “Já, já, Trump vai querer tirar o carnaval do Brasil”
Reação do Congresso
A resposta popular também encontrou eco no Congresso Nacional. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil – AP), classificou a ação dos EUA como uma “agressão ao Brasil e aos brasileiros”.
“Neste momento de agressão […] temos que ter firmeza, resiliência e tratar com serenidade esta relação”, disse Alcolumbre.
Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o Parlamento está pronto para agir ao lado do Executivo:
“Nas decisões que necessitarem da ação do Parlamento, possamos agir com rapidez e agilidade”.
Entenda o caso
A investigação americana foi aberta com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA. O argumento é que o estímulo ao uso do Pix, por ser um serviço gratuito e integrado ao sistema financeiro nacional, estaria prejudicando empresas de tecnologia e serviços financeiros dos Estados Unidos, como Visa e Mastercard.
Analistas apontam que a iniciativa, além do viés comercial, tem motivações políticas, já que Trump mantém aliança declarada com o ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto o atual governo brasileiro defende maior autonomia digital e bancária.
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