Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo ocuparam, na manhã desta quinta-feira (3), o saguão do prédio do Itaú BBA, na Avenida Faria Lima, zona sul da capital paulista. O protesto pediu a taxação dos super-ricos e criticou a atuação do Congresso Nacional em relação à política tributária.
A manifestação foi apoiada pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), ligado aos dois movimentos. Em suas redes sociais, ele declarou:
“O recado do povo é claro: o Brasil precisa de justiça tributária”, ao compartilhar imagens da ocupação.
Durante o ato, os manifestantes exibiram cartazes com frases como “o povo não vai pagar a conta” e “acabou a mamata”. A Frente Povo Sem Medo afirmou que a ação visou “ocupar o edifício mais caro do Brasil, na Faria Lima, exigindo inclusão dos milionários no Imposto de Renda e do povo no orçamento”.
O Itaú foi procurado pela reportagem, mas informou que não comentaria o episódio.
Disputa política sobre impostos
A mobilização ocorre em meio a um embate entre o governo federal e o Congresso em torno do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Nesta semana, a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a derrubada de um decreto presidencial que previa o reajuste do imposto.
Na quarta-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante agenda em Salvador (BA), levantou um cartaz com os dizeres “taxação dos super ricos”, reforçando o apoio à proposta de maior justiça fiscal.
Nos bastidores do governo, a estratégia é usar o tema como bandeira política até 2026, reforçando a narrativa de que apenas 1% da população concentra os maiores privilégios tributários. O PT lançou, inclusive, a campanha “Taxação BBB: Bilionários, Bancos e Bets” e mobilizou cerca de 270 influenciadores digitais para promover a pauta nas redes sociais.
Reações da oposição
A ocupação do prédio do Itaú BBA gerou reações intensas de parlamentares da oposição. O deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde, escreveu:
“Este é o retrato da atual esquerda no Brasil. Não produzem e não geram riqueza. Apenas balbúrdia e caos.”
Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação de Jair Bolsonaro, questionou:
“A invasão de propriedade privada na Faria Lima condenará os autores a mais de 10-15-18 anos de cadeia?”, comparando o ato à invasão do Congresso em 8 de janeiro de 2023.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que o protesto faz parte de uma estratégia do PT para dividir a população:
“O PT reedita a estratégia do ódio, dividindo o País entre pobres e ricos, patrões e trabalhadores. Já vimos esse filme, e sabemos como termina: quem perde é o Brasil.”
*Da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











