O governador em exercício do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, exonerou nesta quinta-feira (3) o então secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB), em seu primeiro ato à frente do Palácio Guanabara, nesta segunda fase de interinidade. A demissão foi publicada em edição extra do Diário Oficial, durante a viagem internacional do governador Cláudio Castro.
A decisão evidencia o racha na base governista e a crescente tensão política no estado. Bacellar é presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) e pré-candidato ao governo em 2026. Já Washington Reis, embora integrasse o governo, vinha se aproximando do prefeito do Rio, Eduardo Paes, possível adversário de Bacellar na disputa, além de manter-se alinhado com o ex-governador Anthony Garotinho, que vem fazendo ataques ao governo Claudio Castro.
“Não posso ter um secretário insubordinado, que mal fala comigo. Imagine um acidente na Supervia e eu não conseguir contato com ele?”, declarou Bacellar.
Aliado de Castro, mas com planos próprios
A exoneração de Reis acontece após uma série de desentendimentos. O ex-prefeito de Duque de Caxias havia indicado que poderia integrar uma chapa opositora em 2026, o que irritou Bacellar.
Há também especulações sobre as intenções de Reis disputar uma vaga no senado alinhado com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, o que o coloca na condição do governador Claudio Castro, que deve se desincompatibilizar o cargo para também disputar uma vaga.
Na edição desta sexta-feira (04) do programa Direto da Redação, o jornalista Roberto Barbosa destacou que Reis também estaria buscando se distanciar do bolsonarismo no Estado do Rio, sob promessa de Eduardo Paes e do governo Lula de negociar uma solução para sua condenação por crime ambiental no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal).
A negociação passaria por evitar a confirmação de uma sentença impondo inelegibilidade e prisão em troca de aplicação de pena pecuniária, preservando assim os direitos políticos e a liberdade.
Segundo Reis, no entanto, o verdadeiro motivo da demissão seria sua recusa em apoiar a candidatura de Bacellar:
“Ele me convidou para um café e eu disse que não apoiaria sua candidatura. Isso aqui é só vingança. Ele quer aparecer.”
Em entrevista, Reis minimizou o ato de Bacellar, afirmando que o governador Cláudio Castro o havia tranquilizado na noite anterior:
“O governador me disse: ‘Fica tranquilo, vai trabalhar’. A assinatura [de Bacellar] não tem valor algum. Ele quer holofote. Se botasse uma melancia no pescoço, chamaria mais atenção.”
O jornalista Roberto Barbosa também analisou dois cenários com os quais Bacellar estaria atuando, um eventual recuo de Castro no retorno da viagem, readmitindo Washington Reis ou manutenção da exoneração.
No primeiro caso, abriria mão de sua candidatura ao governo do Estado, o que caracterizaria um rompimento político e uma crise na base aliada, com sérios reflexos na relação do governador com o legislativo estadual.
Na segunda hipótese, com Claudio Castro mantendo a demissão do ex-secretário de Transportes, Bacellar já teria uma carta na manga para o governo resolver o desgaste gerado pelo reajuste das passagens no metrô, um ato de Washington Reis que obrigou Castro a desautorizá-lo publicamente.
O clima entre Bacellar e os irmãos Reis já era de confronto aberto. Na segunda-feira (1º), a Alerj aprovou a convocação de Washington Reis para explicar o aumento da tarifa do Metrô. A medida, aprovada por 39 votos, provocou reação do deputado Rosenverg Reis, irmão do então secretário, gerando bate-boca no plenário:
“Vou orientar meu irmão a não comparecer”, disse Rosenverg.
“Acabou o tempo de achar que seu irmão manda no estado”, respondeu Bacellar.
No mesmo decreto, Bacellar também exonerou Kennedy de Assis Martins, presidente do Instituto de Pesos e Medidas (IPEM-RJ), ligado ao grupo político dos Reis.
Inelegível, mas querendo voltar ao jogo
Apesar de ainda estar inelegível devido a uma condenação por crime ambiental — por autorizar loteamento irregular em área de preservação quando era prefeito —, Washington Reis acredita que pode voltar à disputa política.
Na semana passada, o ministro Gilmar Mendes, do STF, sugeriu ao relator do caso, Flávio Dino, que o ex-prefeito seja beneficiado por um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Se firmado, o acordo pode anular os efeitos da condenação e reabilitar politicamente o ex-secretário, que teve sua candidatura a vice-governador barrada em 2022.
Nota de Washington Reis (trecho)
“É cedo para tratar de eleições, mas minha exoneração se deu unicamente porque não declarei apoio a quem não tem preparo ou capacidade para governar o Estado do Rio. Sigo com a consciência tranquila, de cabeça erguida.”
*Da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.










