Durante a 66ª Cúpula do Mercosul, realizada nesta quinta-feira (3) em Buenos Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância de fortalecer a cooperação tecnológica entre o Brasil e parceiros estratégicos, como a China, especialmente no campo da inteligência artificial (IA). O presidente brasileiro defendeu que as novas tecnologias devem refletir as realidades culturais e linguísticas da América Latina.
“Precisamos garantir que as tecnologias do futuro não sejam moldadas apenas por lógicas estrangeiras. Elas devem incorporar também nossa diversidade e nossos valores”, afirmou Lula.
O presidente criticou a concentração global do desenvolvimento tecnológico, alertando para o domínio de grandes empresas e países sobre ferramentas que estão moldando o futuro digital do planeta.
“Novas tecnologias estão concentradas nas mãos de um pequeno número de pessoas e de empresas, sediadas em um número ainda menor de países”, disse o presidente.
Soberania digital e infraestrutura regional
Um dos pontos centrais do discurso de Lula foi a defesa da soberania digital para os países do Mercosul. Para o presidente, trazer data centers e investir em infraestrutura de computação local é essencial para que a região tenha autonomia sobre seus dados e capacidade tecnológica própria.
“É uma questão de soberania digital. Precisamos controlar nossos dados, ter nossa própria infraestrutura, e garantir que isso aconteça com respeito à privacidade e com base em marcos regulatórios próprios”, afirmou.
Lula também ressaltou a necessidade de investimentos em energia limpa e sustentável, considerando a alta demanda energética dos sistemas de IA e dos centros de dados. Ele defendeu que esse desenvolvimento seja conduzido com responsabilidade ambiental e visando a inclusão digital.
Parceria com a China em IA
Ao mencionar a colaboração com a China, Lula sinalizou que o Brasil está buscando parcerias com países fora do eixo tradicional de poder tecnológico, como Estados Unidos e Europa. A China é hoje uma das líderes globais em inteligência artificial, e o Brasil tem estreitado laços com o país asiático em diversas áreas estratégicas.
A cooperação visa não apenas o intercâmbio tecnológico, mas também a construção conjunta de soluções que atendam aos interesses e particularidades dos países do Sul Global.
Visão regional para o futuro digital
O discurso de Lula reforça a intenção do Brasil de liderar um debate sobre o papel da América Latina na era digital, promovendo autonomia tecnológica, proteção de dados e valorização da diversidade. A fala ocorre em um contexto de ampliação de acordos comerciais e de cooperação internacional, como o recém-anunciado acordo do Mercosul com a EFTA.
Com a presidência pro tempore do Mercosul nas mãos do Brasil pelos próximos seis meses, o país deve impulsionar discussões sobre inovação tecnológica, integração digital e estratégias para fortalecer a presença latino-americana no cenário global da IA.
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