A sessão legislativa desta segunda-feira (30) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) deixou claro que a disputa pelo Palácio Guanabara em 2026 já começou — e está acirrada. O embate entre o presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), e o deputado Rosenverg Reis (MDB), irmão do secretário estadual de Transportes, Washington Reis, expôs uma crise interna no governo Cláudio Castro (PL) e o racha entre antigos aliados.
O estopim foi a convocação de Washington pela CPI da Transparência para explicar os aumentos no preço das passagens e os sucessivos problemas no sistema de transporte público. A proposta, articulada por aliados de Bacellar, foi atacada por Rosenverg, que se exaltou e prometeu pedir ao irmão que ignorasse o chamado. Também provocou Bacellar ao sugerir CPIs sobre outros escândalos, como a Fundação Ceperj e a compra de livros didáticos — temas sensíveis ao governo.
Bacellar não deixou barato: “Não me confunda com Cláudio Castro”, rebateu. Disse que Rosenverg poderia “destruir o próprio irmão” como quisesse, mas não toleraria ataques pessoais. O requerimento foi aprovado, escancarando o enfraquecimento de Washington Reis dentro da gestão Castro.
Os bastidores da crise
A tensão entre Bacellar e os Reis não é nova. O presidente da Alerj tem expandido seu domínio político no estado com apoio crescente de prefeitos e lideranças regionais, inclusive em Duque de Caxias — reduto dos Reis — onde arrebatou o apoio de 13 vereadores, do ex-prefeito Zito e do deputado Marcos Pereira.
Washington, por outro lado, segue inelegível por condenação no STF, mas aposta em um possível acordo de não persecução penal para tentar voltar ao jogo em 2026.
O prefeito Eduardo Paes (PSD), possível candidato ao governo, já articula nos bastidores o apoio do emedebista, com promessa até de vaga ao Senado.
O Xadrez de 2026
O cenário se desenha com Rodrigo Bacellar como nome da base de Cláudio Castro para a sucessão. A família Reis conspira contra essa candidatura, enquanto Eduardo Paes tenta construir uma coalizão que inclua Washington, buscando acesso ao eleitorado conservador da Baixada.
Enquanto isso, a máquina estadual, fortalecida por Bacellar, avança com capilaridade em todas as regiões do estado, aumentando a pressão sobre adversários que ainda tentam viabilizar seus nomes.
Com a convocação de Washington Reis pela Alerj, a temperatura da disputa política no Rio subiu de vez — e as alianças regionais estão sendo redesenhadas a cada semana.
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