Com uma discografia composta por 17 álbuns e mais de 300 músicas, Raul Seixas completaria 80 anos neste sábado (28). Considerado o pai do rock brasileiro, o artista baiano deixou uma marca profunda na música nacional ao mesclar o ritmo rebelde do rock com elementos do baião nordestino, influenciado por ídolos como Elvis Presley e por um espírito contestador que atravessa gerações.
Autor de clássicos como Maluco Beleza, Metamorfose Ambulante, Sociedade Alternativa e Ouro de Tolo, Raul foi muito além da música. Suas letras, carregadas de crítica social, filosofia e liberdade individual, tornaram-se hinos para jovens inquietos e continuam atuais mesmo décadas após sua morte, em 1989, aos 44 anos.

Segundo o pesquisador Herom Vargas, o sucesso de Raul não foi imediato. Após formações musicais em Salvador, ele seguiu para o Rio de Janeiro com a banda Panteras, que mais tarde virou “Raulzito e os Panteras”. Depois de um início difícil e alguns projetos experimentais que não ganharam o grande público, como Sociedade da Grã-Ordem Kavernista, Raul alcançou o sucesso nacional com o álbum Krig-ha, Bandolo!, lançado em 1973.
A parceria com o escritor Paulo Coelho rendeu algumas das obras mais simbólicas de sua carreira, explorando temas como misticismo, alquimia e contracultura. Posteriormente, Raul se uniu a Cláudio Roberto, Marcelo Motta e, já no fim da vida, a Marcelo Nova, com quem gravou A Panela do Diabo, seu último disco.
Segundo o amigo e fã Sylvio Passos, Raul não era propriamente místico ou ocultista, mas sim um estudioso dos temas. “Era um materialista dialético que tratava de assuntos complexos com linguagem popular. Ele dizia: ‘se você quer me conhecer, ouça meus discos’”, lembrou.
Homenagens e Passeatas
A influência de Raul Seixas permanece viva nas homenagens feitas por seus fãs. Um dos eventos mais tradicionais é a Passeata Raulseixista, realizada anualmente em São Paulo. A manifestação reúne admiradores de todas as idades em frente ao Theatro Municipal e transforma a memória do artista em celebração.
A assessora de imprensa Mayara Grosso, de 30 anos, participa da passeata desde criança. Inspirada pela relação afetiva com o cantor e com sua família, ela escreveu um livro-reportagem chamado A Semente da Nova Idade, explorando a simbologia de Raul Seixas e o impacto da passeata em seus seguidores. “Para mim, Raul representa família. Meu pai, já falecido, amava essa data. É sempre muito emocionante”, contou.
Legado plural
Raul foi um artista multifacetado, que passou de imitador de Elvis a questionador filosófico do comportamento humano. Seus temas, que vão da liberdade à espiritualidade, continuam tocando diferentes públicos, com uma discografia que funciona como um verdadeiro diário existencial.
Mesmo após sua morte, Raul Seixas segue sendo “uma metamorfose ambulante” na memória coletiva da música brasileira — sempre atual, sempre revolucionário.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações da Agência Brasil. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor seite de notícias do Rio de Janeiro.












