Os brasileiros demonstraram maior disposição para consumir no mês de junho de 2025, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 0,5% em relação a maio, atingindo 102,4 pontos na série com ajuste sazonal, permanecendo na zona considerada de satisfação.
Esse é o melhor desempenho mensal desde maio de 2024, refletindo uma leve recuperação no ânimo do consumidor. Ainda assim, na comparação anual, o indicador caiu 1,3%, completando nove meses consecutivos de retração frente ao mesmo período do ano anterior.
De acordo com a CNC, o resultado positivo no curto prazo está relacionado principalmente à percepção de maior facilidade de acesso ao crédito. “32,6% dos consumidores relataram maior facilidade para obter crédito, o maior patamar desde abril de 2020”, informou a entidade em nota.
A melhora da confiança se refletiu em quase todos os componentes do índice. Houve crescimento em seis dos sete itens avaliados: renda atual (+1,2%), nível de consumo atual (+1,1%), perspectiva profissional (+0,5%), perspectiva de consumo (+1,2%), acesso ao crédito (+2,5%) e momento para aquisição de bens duráveis (+0,1%). A única queda foi no item emprego atual, que recuou 0,1%.
“O que vemos é o reflexo dos estímulos contraditórios que o país tem dado: de um lado, a maior oferta de crédito e a perspectiva de melhora no emprego; de outro, a inflação e os juros, com o endividamento crescente afetando o avanço da inadimplência. Esses fatores combinados devem manter o consumidor brasileiro em posição de cautela nos próximos meses”, analisou o economista João Marcelo Costa, da CNC.
O crescimento da intenção de consumo foi observado entre todas as faixas de renda. Para famílias com renda mensal acima de dez salários mínimos, o ICF aumentou 0,6%, chegando a 116,7 pontos. Já entre os que recebem menos de dez salários mínimos, o índice também subiu 0,6%, atingindo 99,5 pontos.
A pesquisa da CNC reforça o cenário de recuperação gradual do consumo no país, mas ainda marcado por desafios econômicos que exigem atenção, como a inflação persistente, os juros elevados e o aumento do endividamento das famílias.
*Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor seite de notícias do Rio de Janeiro.











