O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (20), pressionado pela elevação da Selic para 15% ao ano, anunciada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na noite de quarta-feira. É o maior patamar da taxa básica de juros em duas décadas, o que afeta diretamente o custo do crédito e o desempenho de ações mais sensíveis ao ciclo econômico.
Às 11h21, o principal índice da B3 recuava 0,89%, aos 137.480,11 pontos, após ter tocado máxima em 138.719,09 pontos, patamar semelhante ao da abertura. O movimento reflete a cautela dos investidores na volta dos feriados de Corpus Christi, no Brasil, e Juneteenth, nos EUA.
Apesar do avanço de 0,93% no minério de ferro em Dalian (China) e das bolsas de Nova York em alta, a elevação da Selic e a alta dos juros futuros curtos no Brasil inibem o apetite por risco. Analistas afirmam que o Banco Central sinalizou pouca disposição para discutir cortes de juros no curto prazo, sugerindo que o atual nível de 15% poderá permanecer por um período prolongado.
“O Copom dá a entender que pode interromper o ciclo de alta caso o cenário previsto se confirme, mas está claro que a política monetária continuará restritiva”, afirma Rodrigo Ashikawa, economista da Principal Asset Management. Ele prevê queda de juros apenas no segundo trimestre de 2026.
Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, o tom do comunicado do Copom foi tão duro que poderia justificar altas mais fortes da taxa básica. “O BC quis pesar a mão para afastar cenários de cortes prematuros na curva de juros”, afirma.
Setores e ações em destaque
As ações da Petrobras operam em alta, impulsionadas pelo pagamento da segunda parcela da remuneração aos acionistas referente a dezembro de 2024, mesmo com a queda de aproximadamente 3% do petróleo em Londres. Às 11h12, Petrobras PN subia 0,27% e Petrobras ON avançava 0,81%.
Por outro lado, os papéis da Vale registravam queda de 1,31%, refletindo movimento de realização, apesar da alta do minério. Empresas mais sensíveis aos juros, como Magazine Luiza (-2,46%) e Vamos (-4,34%), lideravam as perdas do índice.
Os grandes bancos também recuavam, refletindo a perspectiva de um ambiente de crédito mais caro e desaceleração do consumo.
Panorama externo e geopolítica
Além das incertezas domésticas, investidores acompanham o conflito no Oriente Médio, que entrou em seu oitavo dia. Apesar da expectativa de que os Estados Unidos só decidam sobre eventual entrada no conflito em até duas semanas, os ataques entre Israel e Irã continuam. O cenário geopolítico mantém os mercados em alerta.
Na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros americanos entre 4,25% e 4,50%, como esperado. Já o Banco Central da China manteve suas taxas de juros inalteradas, buscando estabilidade diante de uma economia ainda em ritmo lento de recuperação.
*Da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











