O guitarrista e violonista Hélio Delmiro, considerado uma das maiores referências do jazz no Brasil, morreu nesta segunda-feira, 16, aos 78 anos. O artista estava internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo. A informação foi confirmada por sua filha nas redes sociais. A causa da morte não foi divulgada.
Delmiro era diabético e, no ano passado, foi diagnosticado com problemas renais após passar mal durante um show. Desde então, realizava sessões de hemodiálise. O músico teve uma carreira marcada por parcerias com alguns dos principais nomes da música brasileira, como Elis Regina, Milton Nascimento, Clara Nunes, João Bosco, Elizete Cardoso, Tom Jobim e Renato Russo.
Natural do Rio de Janeiro, Hélio Delmiro começou a tocar ainda na adolescência e se destacou nos anos 1960 como integrante do Conjunto 3-D. Ao longo de sua trajetória, dedicou-se à fusão entre jazz, música brasileira e técnica erudita, tornando-se um instrumentista altamente requisitado em estúdios e shows.
Em 1974, participou da gravação do icônico álbum “Elis & Tom”, feito por Elis Regina e Tom Jobim em Los Angeles. Anos depois, acompanhou Milton Nascimento por quatro anos, com quem se apresentou no Festival de Montreux e gravou álbuns como “Caçador de Mim” e “Milton ao Vivo”.
Outro momento marcante foi em 1977, quando gravou com a cantora americana Sarah Vaughan o disco “O Som Brasileiro”. Em 1981, lançou com César Camargo Mariano o álbum “Samambaia”, considerado um clássico da música instrumental nacional.
Nos anos 1990, Delmiro levou seu talento ao exterior, apresentando-se na Califórnia com Clare Fischer, com quem gravou o disco “Symbiosis” em 1999. Seu último registro musical foi “Certas Coisas”, álbum lançado em maio deste ano em parceria com o cantor Augusto Martins. “Uma honra infinita… Vá em paz, meu amigo”, escreveu Martins em homenagem ao músico.
A morte de Hélio Delmiro deixa uma lacuna na música brasileira. Seu estilo sofisticado, sensível e técnico moldou o jazz feito no Brasil e inspirou gerações de músicos.
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