O servidor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Cristian Schneider, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (26) e revelou um fato inédito: o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, mantinha uma sala dentro do Palácio do Planalto e despachava diretamente com o então presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com Schneider, essa foi a primeira vez que presenciou a presença física da Abin dentro do Planalto, uma prática que não existia nos governos anteriores. “O ex-diretor tinha uma sala no Palácio do Planalto e fazia reuniões com o presidente da República”, afirmou o servidor em seu depoimento, prestado como testemunha de defesa do general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Relação direta com Bolsonaro
A informação reforça os indícios da proximidade entre Ramagem e Bolsonaro durante o mandato. O ex-diretor da Abin é acusado de utilizar a estrutura da agência para realizar espionagem ilegal contra adversários políticos e desafetos do então presidente.
Investigação sobre trama golpista
Ramagem é um dos réus no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado em 2022. As investigações conduzidas pela Polícia Federal, sob supervisão do ministro Alexandre de Moraes, apontam que a Abin teria sido usada para monitorar ilegalmente autoridades, jornalistas e opositores.
Repercussão política
A revelação do uso de uma sala dentro do Palácio do Planalto pela Abin durante a gestão de Ramagem pode ter novos desdobramentos no inquérito das milícias digitais e na apuração sobre a trama golpista. Parlamentares da oposição já se mobilizam para cobrar esclarecimentos do atual governo e reforçar a responsabilização dos envolvidos.
O STF segue colhendo depoimentos e analisando provas no processo que investiga a organização criminosa que, segundo a Polícia Federal, tentou abalar a ordem democrática no país.
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