Na próxima sexta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca no Espírito Santo para sua segunda visita oficial ao estado desde o início do terceiro mandato.
A agenda inclui a entrega de 917 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida no Residencial Mata do Cacau, em Linhares, e um evento com comunidades quilombolas na região do Sapê do Norte, vinculado ao Acordo do Rio Doce.
A visita ocorre em um cenário de delicadeza política. O governador Renato Casagrande (PSB), cujo partido integra a base aliada do governo federal, mantém uma postura cautelosa para não se associar abertamente ao PT.
O motivo é a força do bolsonarismo no estado, que influenciou sua estratégia na reeleição em 2022, quando adotou o discurso do “voto Casanaro” para atrair eleitores de direita. Desde então, Casagrande tem evitado alinhamentos explícitos com Lula, movimento que preocupa o Planalto.
Fontes próximas ao PT indicam que a hesitação do governador pode levar o partido a lançar candidatura própria ao governo estadual em 2026, garantindo um palanque sólido para as eleições presidenciais.
O encontro entre Lula e Casagrande na sexta-feira, portanto, será observado como um termômetro dessa relação.
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Agenda social e reparação histórica
Além das moradias, Lula participará de um ato no Sapê do Norte, região que abriga comunidades quilombolas, para formalizar sua inclusão no Acordo do Rio Doce. O acordo, que prevê compensações aos atingidos pelo rompimento da barragem de Mariana (MG) em 2015, passará a reconhecer os impactos sofridos por essas populações tradicionais.
Esta será a segunda vez que Lula visita o Espírito Santo desde o retorno à Presidência. Em dezembro de 2023, ele inaugurou o Contorno do Mestre Álvaro, na Serra, obra aguardada há décadas. A repetição das agendas no estado reforça a importância estratégica da região para o governo, tanto no âmbito social quanto político.
Enquanto o presidente promove políticas de habitação e reparação, a disputa silenciosa com Casagrande ilustra os desafios de consolidar alianças em estados onde o bolsonarismo ainda exerce influência. O desfecho dessa relação poderá definir os rumos do PT no Espírito Santo rumo a 2026.
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