Iniciado o jogo para a disputa presidencial de 2022, a percepção é de que o Brasil vai reeditar um clima de Fla x Flu com urnas eletrônicas. Voltamos à dualidade Lula X Bolsonaro, com fanáticos dos dois lados, passando ao largo da discussão dos verdadeiros problemas que o país atravessa.
Enquanto nas ruas torcidas gritam “ele sim” e “ele não”, o que se vê no horizonte são turbulências para o ano que vem, com forte impacto na vida do brasileiro que já está com sua renda castigada pela pandemia.
O Brasil terá um ano de 2023 conturbado, com crise econômica afetando a Europa e EUA, que já vivenciam índices inflacionários históricos, escassez e aumento no custo de energia, o que inevitavelmente terá impacto sobre a economia mundial.
São problemas que ainda não estão visíveis para o cidadão comum contemplado com Auxílio Brasil, Bem Taxista e Bem Caminhoneiro, medidas paliativas com prazo de validade até dezembro deste ano.
Entre os dois postulantes que duelam nas intenções de votos, o máximo que se vê são propostas rasas de prorrogação desses benefícios como salvação da lavoura, sem entrar nos verdadeiros problemas que estarão no cotidiano de milhões de pessoas.
O PT comete um erro gigantesco ao vender a imagem de Lula como salvador da pátria, como se fosse possuidor de uma varinha mágica com poderes para solucionar todos os problemas, ignorando a dependência do Centrão (que tem seu preço) e nada faz sem acordos vantajosos e loteamento da máquina pública. Com esta ala é “dá ou desce”. Para garantir base aliada no Congresso é dando que recebe.
Como dizia Thomas Friedman, “não existe almoço grátis”. Febraban, Fiesp e demais setores que assinaram a “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa da democracia” têm um preço a cobrar. Democracia para esses setores são juros em alta para rentabilizar credores da dívida pública, autonomia para o Banco Central, crédito farto para o empresariado e outras engenhocas.
Faltando menos de 60 dias para a eleição presidencial, é triste constatar que o processo de escolha ainda está entre o mais do mesmo. O clima de Fla x Flu é só bom no Maracanã. Na eleição, é a história se repetindo como farsa.











