Rio de Janeiro – A queda acentuada nos preços do petróleo nesta segunda-feira (03), com o barril do Brent fechando a US$ 71,62 (queda de US$ 1,19), acendeu mais um alerta para municípios e estados brasileiros dependentes de royalties petrolíferos.
Os valores, mínimos em 12 semanas, refletem decisões da OPEP+ de elevar a produção em abril e temores de desaceleração econômica global devido a tarifas comerciais dos EUA – fatores que podem reduzir drasticamente a receita de regiões petrorrentistas como Rio de Janeiro, Espírito Santo e cidades da Bacia de Campos.
O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) caiu US$ 1,39, ou 2,0%, para fechar em US$ 68,37.
OPEP+ e tensões geopolíticas pressionam o mercado
A decisão da OPEP+, grupo que inclui Rússia e Arábia Saudita, de aumentar a produção em 400 mil barris por dia a partir de abril, ocorre em meio a frágeis negociações de paz entre Rússia e Ucrânia e ameaças de tarifas comerciais dos EUA. Para Bob Yawger, da Mizuho, o petróleo está “sob cerco”:
“A combinação de aumento da oferta, tarifas e incertezas políticas cria um cenário de risco para a demanda global”.
A Rússia, terceira maior produtora mundial e membro-chave da OPEP+, enfrenta pressões para manter sua participação no mercado enquanto os EUA avaliam alívio de sanções para frear a guerra na Ucrânia.
Paralelamente, as tarifas de 25% sobre importações canadenses e mexicanas anunciadas por Donald Trump ameaçam desequilibrar o comércio energético continental.
Impacto direto nos royalties brasileiros
No Brasil, onde royalties e participações especiais respondem pela maior fonte do orçamento de alguns municípios, a queda nas cotações do petróleo pode significar perdas milionárias. Cada queda de US$ 1 na cotação do barril reduzem cerca de R$ 350 milhões anuais a arrecadação federal de royalties, segundo a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
Com a queda de receitas, as prefeituras já devem projetar ajustes de investimentos em saúde, educação e infraestrutura.
“Municípios produtores têm economias hiperdependentes do petróleo. Uma queda sustentada abaixo de US$ 70 pressionará serviços essenciais e até folhas de pagamento”, destacou recentemente Carlos Kawall, economista-chefe da ASA Investments.
Cenário global amplifica riscos
Além da OPEP+, as tarifas de Trump sobre produtos energéticos canadenses e a desaceleração na indústria chinesa – que prepara retaliações aos EUA – alimentam preocupações com a demanda global.
Dados de fevereiro mostraram estagnação na manufatura americana, enquanto o Federal Reserve sinaliza manutenção de juros altos para conter inflação, medida que pode frear o crescimento econômico e, consequentemente, o consumo de energia.
No mercado futuro, especuladores reduziram posições compradas em petróleo para o menor patamar desde dezembro de 2023, refletindo desconfiança na recuperação das cotações. Enquanto isso, contratos de diesel atingiram mínimas de nove semanas, e os da gasolina dispararam em antecipação à temporada de verão nos EUA.
O que esperar?
Analistas projetam volatilidade no curto prazo, com preços do Brent podendo chegar a US$ 65 se a OPEP+ mantiver o aumento de produção e as tensões comerciais se intensificarem.
Para o Brasil, o cenário exige planejamento emergencial: estados como Rio de Janeiro, que já enfrentam crises fiscais históricas, podem ver sua arrecadação encolher ainda mais em 2025, aprofundando desafios socioeconômicos.
Enquanto isso, prefeituras petrorrentistas, como é o caso de Macaé, no Norte Fluminense, buscam diversificar receitas, mas para a maioria o caminho é longo. Macaé foi o único município da Bacia de Campos que conseguiu elevar sua receita própria acima do que recebe de repasses de royalties, mantendo uma economia diversificada.
“Sem reforma tributária que redistribua royalties ou políticas de diversificação produtiva, essas cidades seguirão reféns das cotações internacionais”, conclui Kawall.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações de agências internacionais. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











